Deus é fiel

Deus é fiel

Bem Vindo....



A paz do Senhor seja convosco!



Bem Vindo ao blog do presbitero Marcelo Silva



domingo, 4 de janeiro de 2009

7 verdaes sobre lutar com gigantes









Deus é fiel




UM HOMEM SEGUNDO O CORAÇÃO DE DEUS




Você se lembra da primeira vez em que ouviu a história de Davi e o gigante e como foi emocionante? Talvez você tenha ouvido essa história tantas vezes, que tenha perdido o entusiasmo. Para aproveitar ao máximo esta lição, finja que está ouvindo a história de Davi e Golias pela primeira vez. Você consegue? Ótimo. Vamos estudar uma das aventuras mais empolgantes da Bíblia .
No início de 1 Samuel 17, os israelitas estavam em guerra: “Ajuntaram os filisteus as suas tropas para a guerra” (v. 1). Os filisteus vinham de ilhas do mar Mediterrâneo à Palestina e estabeleciam cidades-estado ao longo da costa.
Eram uma constante fonte de aborrecimento para os israelitas. Agora, tinham vindo para guerrear com os israelitas.
Os versículos de 1 á 3 descrevem a cena: o rei Saul e seu exército se enfileiravam num monte enquanto os filisteus se amontoavam num monte oposto. Entre os dois montes ficava o vale de Elá .
Todas as manhãs, cada exército vestia suas armaduras e dava um grande grito de guerra (17:20, 21).
Os dois exércitos trocavam insultos, mas ninguém dava o primeira passo. Finalmente, dentre os
filisteus saiu um homem altíssimo, cuja presença era marcante: “Então, saiu do arraial dos filisteus um homem guerreiro, cujo nome era Golias, de Gate, da altura de seis côvados e um palmo” (17:4).
Isso equivale aproximadamente a dois metros e noventa centímetros de altura! Presumindo que Golias tinha as proporções da maioria dos homens, ele deveria pesar quase trezentos quilos !
Eram trezentos quilos de músculo, não de gordura. Golias era soldado desde a juventude (17:33). Era um veterano experiente em duelo. Golias estava todo revestido de armadura, incluindo um capacete . O colete ou “couraça de escamas” pesava de 55 a 70 quilos8 ! Levava na mão uma lança, com uma espécie de arco9 pendurado nas costas. O cabo da lança era como um eixo de tecelão e a cabeça da lança pesava de 7 a 10 quilos10 ! (Ele não tinha de atirá-la em ninguém; bastava deixá-la cair na cabeça do oponente!) O escudo era tão grande que era preciso outro soldado carregá-lo adiante dele. Golias foi descendo e batendo os pés em direção ao vale de Elá e gritou: “Se ele puder pelejar comigo e me ferir, seremos vossos servos; porém, se eu o vencer e o ferir, então, sereis nossos servos e nos servireis” (17:9). Isso era chamado de “desafio a um duelo” e era reconhecido como uma forma legítima de travar batalhas militares. Não é uma má idéia. Da próxima vez que uma guerra entre países parecer inevitável, os dois líderes bem que poderiam lutar entre si e deixar o resto de nós fora da batalha! O versículo 11 diz: “Ouvindo Saul e todo o Israel estas palavras do filisteu, espantaram-se e temeram muito”. O versículo 16 observa: “Chegava-se, pois, o filisteu pela manhã e à tarde; e apresentou-se por quarenta dias”. Golias andou até o vale de Elá duas vezes por dia, durante quarenta dias, fazendo seu desafio; são um total de oitenta vezes.
Ele estava prestes a lançar o desafio pela octogésima primeira vez.
Devia ser assustador encarar um gigante de quase três metros… mas todos nós temos gigantes em nossas vidas, coisas que parecem grandes em nossas vidas e que temos de encarar, problemas que temos de vencer se quisermos continuar vivendo. Pode ser uma batalha judicial, um impasse com um empregador, um mau hábito, uma tentação irresistível, melhorar um relacionamento difícil.
Pode envolver pessoas ou pressões; resultar em preocupações e medos. Se você ainda não teve de encarar um gigante na vida, garanto que em algum momento isso acontecerá! Aquilo que é um gigante para mim pode não ser para você, mas não deixa de ser um gigante.
O que é um gigante para você pode não parecer para mim, mas o gigante é real. Cada um de nós luta com suas tentações especiais, gigantes que enfrentamos todos os dias de nossas vidas, e eles são reais! Nunca subestime os gigantes de uma outra pessoa.
Todos nós enfrentamos nossos gigantes, desafios que tomam conta de nossos horizontes, problemas que fazem os nossos joelhos se enfraquecerem. A pergunta é: como podemos derrotar os Golias da vida? Em 1 Samuel 17 encontramos sete verdades das quais devemos nos lembrar enquanto lutamos com gigantes, sete verdades que podem nos ajudar a vencer.

I.GIGANTES APARECEM QUANDO MENOS SE ESPERA (17:12–15, 1723)

Enquanto Davi estava em casa, na cidade de Belém, seus três irmãos mais velhos estavam no exército de Israel. Haviam ido com Saul para combater os filisteus. Era costume os filhos mais velhos irem para a guerra enquanto os mais novos ficavam em casa fazendo as tarefas domésticas. Davi, naturalmente, era o caçulinha da família — o mais novo dos dez. Provavelmente tinha menos de vinte anos11 . Passava a maior parte do tempo nos campos de pastoreio. Vez ou outra, ia ao palácio de Saul tocar harpa para o rei (17:15)12 , mas seu trabalho cotidiano era apascentar as ovelhas.
Um dia, Jessé disse a Davi: “Já faz quarenta dias que seus irmãos se foram, e não sei o que aconteceu com eles. Quero que vá ver como estão.
Leve estes suprimentos e depois traga notícias deles para mim”. Belém só ficava a quinze
ou vinte quilômetros do local da batalha, mas a família ainda não tinha recebia notícias dos três filhos havia mais de um mês.
A expressão “uma prova de como passam” (17:18) significa no original“o seu penhor” . Isto pode ser uma referência a algo tangível que Davi deveria trazer para provar que eles estavam bem. “Davi, pois, no dia seguinte, se levantou de madru-gada, deixou as ovelhas com um guarda, carre-gou-se e partiu, como Jessé lhe ordenara” (17:20). Enquanto Davi se dirigia ao vale de Elá, tenho certeza de que a última coisa que passaria pela sua mente era lutar com um gigante. Aquele dia amanhecera como qualquer outro. Sem dúvida, Davi estava animado — ele estava indo ver seus irmãos e veria a “peleja” — mas ele nem pressentia o que estava por acontecer, nem imaginava encontrar um gigante. Os dias em que aparecem gigantes nas nossas vidas começam como um dia qualquer. Você acorda. Dá início à rotina diária. Talvez seja um bom dia, talvez não, mas é um dia igual a milhares de dias que você viveu. Daí, chega uma carta via correios… ou um telegrama… ou o telefone toca… ou alguém se aproxima. Talvez você seja chamado à sala do chefe… ou faça uma visita de rotina ao médico para cuidar de algum incômodo, mas nenhum problema médico significativo… ou talvez seu cônjuge diga: “A gente precisa conversar”. De repente, aparece o gigante. Quando Davi chegou ao vale de Elá, deixou as provisões com um encarregado e foi ver como estavam os irmãos. Enquanto conversava com eles, “eis que vinha subindo do exército dos filisteus o duelista, cujo nome era Golias, o filisteu de Gate; e falou as mesmas coisas que antes falara, e Davi o ouviu” (17:23). Essas palavras encontram-se no versículo 10: “Hoje, desafio as companhias de Israel, [dizendo:] Dai-me [um] homem, para que ambos pelejemos”. Imagine o sarcasmo na voz de Golias: “Estou me apresentando neste lugar já há quarenta dias! Esta é a octogésima primeira vez que faço meu desafio! Não existe ninguém em todo o Israel corajoso o bastante para me enfrentar?” O versículo 23 observa: “e [Golias] falou conforme aquelas palavras, e Davi [as] ouviu”. Ele não pôde ignorar o fato de que surgira um gigante na sua vida. Guarde bem isto: mais cedo ou mais tarde, você terá de encarar o seu gigante.






II. VOCÊ PODE ENCARAR GIGANTES COM FÉ OU MEDO (17:24–27)
(O texto bíblico contrasta o medo dos soldados)

com a fé de Davi. O versículo 11 observa:
“Ouvindo Saul e todo o Israel estas palavras do filisteu, espantaram-se e temeram muito”. O versículo 24 diz: “Todos os israelitas, vendo aquele homem, fugiam de diante dele, e temiam grandemente”.
Enquanto Davi conversava com seus irmãos, o gigante saiu e tornou a lançar seu desafio. Davi não podia crer no que ouvia! “Vocês ouviram o que aquele filisteu disse?!” Ninguém respondeu. Davi olhou ao redor — e estava sozinho. Todos os demais estavam alguns metros para trás dele, num lugar seguro! “Todos os israelitas, vendo aquele homem, fugiam de diante dele, e temiam grandemente” (grifo meu).
Quando Davi aproximou-se de onde as tropas estavam recuadas, os soldados estavam comentando a situação. Como ninguém havia se apresentado como voluntário para pelejar com o gigante, Saul tentou “adocicar o angu”, dizendo:
“A quem o matar, eu o cumularei de grandes riquezas, e lhe darei por mulher a minha filha13 , e à casa de seu pai isentarei de impostos” — ou tarifas públicas.
Façamos uma pausa para indagar: dentre todos os soldados enfileirados no lado israelita, quem, pela lógica, deveria ser o candidato a ir lutar com o gigante? Quem era “o mais alto e sobressaía de todo o povo do ombro para cima” — o que mais se aproximava do gigante em estatura? O próprio Saul14 — mas Saul estava com medo15 , por isso lançou esses incentivos aos seus homens.
Creio que essas ofertas atraentes passaram direto pela cabeça de Davi. Ele estava triste porque o nome de Deus fora blasfemado. Não estava interessado nas recompensas e, sim, na honra do seu Deus. Observemos as palavras de Davi no final do versículo 26: “…Quem é, pois, esse incircunciso filisteu, para afrontar os exércitos do Deus vivo?” (grifo meu).
Todos nós precisamos ter o coração como o de Davi! Ouvimos o nome de Deus ser blasfemado dia após dia — e nos acostumamos com isso. Ficamos tolerantes e não pensamos nada contra isso. Davi ficou furioso! Estavam insultando o Deus vivo. “Por que alguém não faz alguma coisa?!”
Quando surgirem gigantes nas nossas vidas, podemos ter medo, ou podemos enfrentá-los
com fé em Deus. Podemos ficar impressionados com eles, ou podemos vê-los como oportunidades para glorificar o nome de Deus.

III. ALGUÉM SEMPRE ESTARÁ PRONTO PARA NOS DESANIMAR (17:28–33)

Geralmente pensamos que quando tivermos problemas, todos que nos rodeiam nos darão apoio, ajuda e força — mas não é assim. Pelo contrário, sempre haverá alguém pronto para dizer: “Você não vai conseguir. Não tem condições. Deveria desistir”.
Quando o desafio de Golias foi feito, o pai de Davi já havia dito: “Você é jovem demais”. Jessé mandou os filhos mais velhos, e não Davi, se apresentarem para o exército.
Agora, o irmão de Davi estava dizendo: “Você é imaturo demais”.
Ouvindo-o Eliabe, seu irmão mais velho, falar àqueles homens, acendeu-se-lhe a ira contra Davi, e disse: Por que desceste aqui?16 E a quem deixaste aquelas poucas ovelhas no deserto? Bem conheço a tua presunção e a tua maldade; desceste apenas para ver a peleja (17:28).
Guarde bem quem era Eliabe. Ele foi o primeiro a se apresentar a Samuel, quando este foi à casa de Jessé para ungir o próximo rei. Samuel pensou: “É esse!”, mas Deus pôs a mão no ombro de Samuel e disse: “Não, não é esse. Eu não vejo como o homem vê. Eu olho o coração”17 . Daí, Eliabe teve de ficar na reserva e assistir ao chifre com óleo ser derramado sobre a cabeça de seu irmão mais novo, Davi. A inveja estava corroendo esse homem. Ele insultou os motivos, o trabalho e o coração de Davi.
A resposta natural de Davi seria começar uma briga com o irmão. Você tem irmãos? Já brigou com eles? Se Davi fosse como nós, provavelmente daria um soco em Eliabe. É assim que muitas vezes acontece quando enfrentamos gigantes. Em vez de usar nossas energias para lutar com os gigantes, lutamos com pessoas. Ficamos infelizes e aborrecidos, e descontamos isso naqueles que nos cercam, usando a energia que deveria ser gasta para derrotar os gigantes.
Davi, porém, recusou-se a entrar numa batalha prolongada com o irmão. Na verdade, ele disse: “Por que você está falando assim? Eu não fiz nada errado”18 . Virou-se e falou com outra pessoa. Ele não iria lutar no acampamen to quando havia um gigante lá embaixo no vale19 .
As indagações de Davi chegaram aos ouvidos de Saul, que mandou chamá-lo. Davi disse ao rei:
“Não desfaleça o coração de ninguém por causa dele; teu servo irá e pelejará contra o filisteu” (17:32).
Saul, então, tentou desestimular Davi, dizendo: “Contra o filisteu não poderás ir para pelejar com ele; pois tu és ainda moço, e ele, guerreiro desde a sua mocidade” (17:33)20 . “O que é que você sabe sobre a arte da guerra? Você não passa de um jovenzinho que cuida de ovelhas.
Por outro lado, esse gigante está sendo treinado para este momento desde menino. Não, você é muito inexperiente.” Todos tentaram desencorajar o jovem pastor a lutar com Golias. Pouco depois, o próprio gigante diria: “Você é pequeno demais! É fraco demais! Está muito mal equipado!” (veja 17:42,43).
Quando você enfrentar um gigante, ouvirá palavras para desanimá-lo. Podem vir de seus familiares (assim como Davi foi desencorajado pelo pai e pelo irmão). Podem vir de alguém que você julgava ser seu amigo (lembre-se de que Davi já havia tocado harpa para o rei Saul várias vezes). Podem vir de alguém que não gosta de você (alguém como Golias). Pode ter certeza, essas palavras virão. Prepare sua mente para elas e não fique surpreso, se as pessoas disserem: “Você não vai conseguir!”

IV. PREPARE-SE ANTES DE CONFRONTAR SEUS GIGANTES (17:34–37)

Se o seu pensamento é: “Vou esperar até que os problemas apareçam, para depois enfrentálos”, provavelmente acabará como Golias, estendido no chão. Você precisa se preparar antes de encontrar os seus gigantes.
Davi havia se preparado para enfrentar Golias, primeiramente enfrentando um leão e um urso, enquanto cuidava das ovelhas. Quando Saul tentou desestimular Davi, este respondeu:
Teu servo apascentava as ovelhas de seu pai; quando veio um leão ou um urso e tomou um cordeiro do rebanho, eu saí após ele, e o feri, e livrei o cordeiro da sua boca; levantando-se ele contra mim, agarrei-o pela barba, e o feri, e o matei. O teu servo matou tanto o leão como o urso; este incircunciso filisteu será como um deles, porquanto afrontou os exércitos do Deus vivo (17:34–36).
Não foi no campo de batalha, mas nas pastagens longínquas que Davi se preparou para enfrentar Golias. Ele não precisava confrontar leões e ursos. Se tivesse corrido, ninguém, além das ovelhas, saberia — e elas não contariam a ninguém. Ele não ganhou uma bonificação por realizar um trabalho arriscado ao enfrentar essas criaturas ferozes. O jornal do dia seguinte não publicou uma foto dele com a manchete “herói do dia”. Nem ganhou um “obrigado” das ovelhas (elas pouparam aplausos)! Enfrentar leões e ursos fazia parte do trabalho de um pastor — e Davi fez esse trabalho.
A preparação para enfrentar os problemas da vida tem de começar dentro de nós. Uma pessoa se prepara para os grandes gigantes da vida enfrentando primeiramente os pequenos gigantes. Nós nos preparamos para grandes problemas não ignorando os pequenos problemas da vida, mas sim enfrentando-os honestamente e solucionando-os com a ajuda de Deus.
O ato preparatório mais importante de Davi para confrontar Golias foi cultivar o relacionamento com Deus. Vejamos a quem ele atribuiu o crédito pela matança do leão e do urso: “O Senhor me livrou das garras do leão e das do urso; Ele me livrará das mãos deste filisteu” (17:37ª; grifo meu). Davi cria em Deus! “Porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé” (1 João 5:4). Como esse adolescente desenvolveu uma fé em Deus que os homens do exército de Saul não tinham? Ele desenvolveu tal fé da mesma forma que seus irmãos e Saul poderiam ter desenvolvido a fé deles, da mesma forma que cada um de nós aumenta a fé. Davi meditava em Deus e na Palavra de Deus21 — e em todas as vitórias que Deus lhe dera.
Nosso problema é que lembramos o que deveríamos esquecer e esquecemos o que deveríamos lembrar. Facilmente nos lembramos dos fracassos pessoais e nos esquecemos das vitórias que Deus nos tem dado. C. H. Spurgeon observou:
“Escrevemos os benefícios na poeira e os danos no mármore… Nós… inscrevemos nossas aflições em latão, enquanto o registro das libertações de Deus são inscritos em água”22 . Se, em vez de recordarmos as derrotas do passado, pensarmos em como Deus tem nos ajudado continuamente com nossos problemas, estaremos prontos para enfrentar os gigantes que surgirem em nossas vidas sem serem convidados.

V. PREPARE-SE O MELHOR QUE PUDER E DEPOIS DEPENDA DE DEUS (17:37–47).

Saul devia estar desesperado; não consigo pensar em nenhuma outra razão para ele ter confiado a tarefa de pelejar com um gigante a um moço tão jovem23 . Saul disse a Davi: “Vai-te, e o Senhor seja contigo” (17:37b). Não é irônico o rei dominar a linguagem da fé24 , mas não ter uma vida de fé? Se Saul realmente cria que o Senhor estava com Davi e lhe daria a vitória, não deveria ele mesmo estar no campo de batalha? Ficamos impressionados com a confiança de Davi em contraste com a falta de confiança de todos nele. Davi estava confiante pelo menos por causa de três coisas. Em primeiro lugar, ele estava confiante por causa do seu treinamento25 . Isto está implícito em 17:38, 39.
Esses versículos contêm uma cena cômica na qual Saul coloca a sua armadura em Davi. Não sei por que Saul queria que Davi usasse a própria armadura do rei. Talvez Saul almejasse receber algum crédito (como quem diz: “Ele atirou no urso com a minha arma”). Qualquer que seja a razão26 , a armadura foi colocada em Davi — com o capacete, a espada e outros acessórios. O texto diz a seguir: “[Ele] experimentou andar” (17:39; grifo meu)27 . Imagine Davi, que devia usar manequim 38, vestindo 48, o manequim de Saul! Ele não podia nem andar, muito menos lutar! Davi tirou a armadura e disse: “Não posso andar com isto, pois nunca o usei” (17:39b). Em outras palavras, ele disse: “Vou ficar com aquilo que conheço”. Ele confiava naquilo que ele sabia que podia fazer, aquilo que tinha sido anteriormente testado por ele. Mas o que seria? Ele sabia que podia girar uma funda e atirar uma pedra com aquele instrumento. Ele confiava no seu treinamento.
Davi também confiava nas suas ferramentas. Ele não estava com uma de suas armas mais formidáveis: seu cajado28 — o pedaço de pau pesado com o qual matou um leão e um urso (17:35)29 , mas levava consigo uma funda (17:40). Talvez os termos familiares a você sejam “estilingue”, “bodoque”. Quando eu era menino, fazíamos um estilingue usando uma forquilha, duas tiras de borracha cortadas de uma câmara de pneu e uma lingüeta de couro tirada de um sapato velho. Não era isso que Davi tinha em mãos. A funda de Davi era uma pequena algibeira de couro com uma tira longa amarrada em cada lado. Para usá-la, colocava-se uma pedra na algibeira, prendia-se as pontas das tiras na mão, girava-se a algibeira e depois soltava-se uma das tiras. Quando eu era jovenzinho, várias vezes, fiz uma funda usando a lingüeta e os cadarços de um sapato. Eu alojava uma pedrinha na lingüeta, girava a funda acima da cabeça e depois soltava um dos cadarços. A pedra voava em direção ao alvo… ou em outra direção. Quebrei muitas coisas até que minha mãe, finalmente, me obrigou a parar. É uma das armas inventadas mais difíceis de se manusear!
Por mais surpreendente que pareça, algumas pessoas desenvolveram grande precisão com esse instrumento volátil. Juízes 20:15 e 16 fala de setecentos homens canhotos benjamitas, “os quais atiravam com a funda uma pedra num cabelo e não erravam”! Roy Osburne visitou a Palestina certa vez30 . Ele encontrou um jovem pastor de cabras sentado à sombra de uma colina. As cabras daquele pastor estavam a uns cem metros de onde ele estava. O rapaz estava guiando o seu rebanho com uma funda. Quando uma cabra começava a se dispersar do rebanho, o rapaz arremessava uma pedra diante do animal para fazê-lo recuar de volta para o rebanho. Roy caminhou até o pastor, apontou para uma figueira distante dali e pediu que ele tentasse acertá-la. O jovem colocou uma pedra na funda e girou-a cada vez mais rápido, até que não se enxergasse nitidamente o instrumento. Então, soltou uma ponta — e a pedra enterrou-se no meio do tronco da árvore.
Davi parece ter desenvolvido esse tipo dehabilidade. “Tomou o seu cajado na mão, e escolheu para si cinco pedras lisas31 do ribeiro, e as pôs no alforje de pastor, que trazia, a saber, no surrão” (17:40ª). Davi desceu a colina segurando um cajado na mão — não uma arma, mas sua bengala. Chegando ao ribeiro, no meio do vale, escolheu cinco pedras lisas. Observe que ele as escolheu, não pegou as cinco primeiras pedras que viu. Ele pegou uma pedra e avaliou: “Não, esta não serve”. Jogou-a fora e pegou outra: “Talvez…” E a guardou enquanto verificava outra que parecia melhor. Com todo o cuidado, ele pegou uma, duas, três, quatro, cinco pedras que eram exatamente o que ele precisava. Ele estava com o alforje de pastor. Geralmente guardava nele o seu almoço, mas, naquele dia, colocou nele as cinco pedras, e estava pronto para enfrentar o gigante.
Enquanto todos os olhares de ambos os exércitos se voltavam para aquele rapaz lá embaixo, no leito do ribeiro32 , catando pedras, você pode imaginar em que duelista as pessoas faziam suas apostas? Quando Davi andou até o gigante com as cinco pedras lisas, onde você acha que estava a maior parte do “dinheiro apostado”? Obviamente, a determinação de Davi em prosseguir não era simplesmente porque ele havia treinado e estava com suas ferramentas. Acima de tudo, Davi estava seguro por causa de sua confiança. Ele dependia de Deus. Os versículos 40 e 41 traçam um acirrado contraste entre os dois combatentes: “E, lançando mão da sua funda, foi-se chegando ao filisteu. O filisteu também se vinha chegando a Davi; e o seu escudeiro ia adiante dele”. Do lado oeste vinha o grande herói com sua armadura, uma lança poderosa enfeitada com penas e o capacete de bronze resplandecendo ao sol. Do lado leste, um jovenzinho sardento e pequeno de túnica e sandálias, segurando uma funda de pêlo de cabra.
Quando o gigante viu Davi, sentiu-se ultrajado.
Olhando o filisteu e vendo a Davi, o desprezou, porquanto era moço ruivo e de boa aparência. Disse o filisteu a Davi: Sou eu algum cão, para vires a mim com paus? E, pelos seus deuses, amaldiçoou o filisteu a Davi (17:42, 43).
Quando Golias amaldiçoou Davi através de seus deuses — Dagom, Baal e outros — ele cometeu um grande erro. Transformou um duelo militar numa disputa teológica! Seria “Deus versos deuses” (“d” minúsculo).
Golias tentou intimidar Davi: “Vem a mim, e darei a tua carne às aves do céu e às bestas-feras do campo” (17:44)34 . Ficamos intimidados com os desafios que enfrentamos, não ficamos? Geralmente, só conseguimos encarar nossos gigantes, quando paramos de bambear as pernas. A manobra teria funcionado comigo. Eu metros dissesse que ia dar minha carne aos pássaros. Contudo, em vez de aterrorizar Davi, a ameaça de Golias provocou uma das mais grandiosas expressões de fé registradas na Bíblia.
Davi, porém, disse ao filisteu: Tu vens contra mim com espada, e com lança, e com escudo; eu, porém, vou contra ti em nome do Senhor dos Exércitos, o Deus dos exércitos de Israel, a quem tens afrontado. Hoje mesmo, o Senhor te entregará nas minhas mãos; ferir-te-ei, tirar-teei a cabeça… e toda a terra saberá que há Deus em Israel. Saberá toda esta multidão que o Senhor salva, não com espada, nem com lança; porque do Senhor é a guerra, e ele vos entregará nas nossas mãos (17:45–47).
“Do Senhor é a guerra.” Se você ainda não sublinhou esta passagem na sua Bíblia, faça-o agora. Davi viveu segundo um princípio simples. Ele não tinha que provar nada nem tinha nada a perder. Ele não estava tentando impressionar ninguém. Estava só se apresentando para defender o seu Deus. Ele queria que todos soubessem que há um Deus no céu e a vitória pertence a Ele. Já sugeri que é preciso preparar-se para os desafios que a vida traz. Em algum momento de sua vida, porém, você vai dobrar uma esquina e deparar-se com um gigante tão imenso, tão robusto, que todo o seu treinamento vai parecer ineficaz e as suas ferramentas, incompatíveis.
Nessa hora é importante lembrar: “Do Senhor é
a guerra”! No final, a maneira segura de se viver é confiar — confiar em Deus. Nós cantamos “Vitória Deus Dará a Mim”36 , Davi viveu isso.





VI. SE VOCÊ TEM UM GIGANTE, ENFRENTE-O IMEDIATAMENTE (17:48–51)

Tendo pego as cinco pedras lisas, Davi nãohesitou; correu de encontro a Golias.

Sucedeu que, dispondo-se o filisteu a encontrarse com Davi, este se apressou e, deixando as suas fileiras, correu de encontro ao filisteu. Davi meteu a mão no alforje, e tomou dali uma pedra, e com a funda lha atirou, e feriu o filisteu na testa; a pedra encravou-se-lhe na testa, e ele caiu com o rosto em terra (17:48, 49).

Davi enfiou a mão em seu pequeno alforje de pastor, tateou à procura da maior pedra, tirou-a dali, colocou-a na algibeira da funda e começou a girar a funda acima da cabeça. A funda começou a zunir, e depois uivar. E então — teim! — Davi soltou a pedra. Ela cruzou o ar e encravou-se na testa de Golias. Golias cambaleou ao ser atingido. Quando o gigante caiu ao chão num estrondo, a terra tremeu.
Mas Davi ainda não havia terminado o serviço. Talvez o gigante só estivesse tonto. Novamente Davi correu (17:51). Ele chegou rápido ao corpo caído. Davi não tinha espada37 , por isso pegou a de Golias. (“Você me empresta a sua espada para cortar a sua cabeça? Obrigado.”) Com um “slap!” vigoroso, a terrível missão estava cumprida.
Essa dramática vitória nos ensina que a vitória, no final das contas, não depende do tamanho ou da bravura física, mas da relação do combatente com Deus. Não nos esqueçamos jamais disso! A vitória também ensina que quando temos um gigante nos confrontando, não devemos fugir dele. Quanto mais nós protelamos encarar um desafio, mais o gigante aumenta de tamanho! Cada dia que passa, será mais difícil resolver esse problema. Encare seus gigantes com a ajuda de Deus — e enfrente-os imediatamente!

VII. UMA VITÓRIA CHAMA OUTRA (17:51–54)

Durante a vida de Davi, vemos que cada vitória o preparou para a vitória seguinte. As vitórias sobre o leão e o urso o prepararam para esse momento. E agora, essa vitória estava preparando Davi para outras vitórias. Em primeiro lugar, a vitória de Davi ajudou o exército israelita. Gosto da maneira como Lynn Anderson comenta: “O ato de Davi não foi só corajoso; também foi contagioso”38 .
Imagino a cena após Davi acabar com Golias. Ele olhou para o exército filisteu; estavam parados ali, olhos arregalados e boquiabertos. Davi pegou mais uma pedra, jogou-a levemente para cima e gritou: “Tem mais algum gigante por aí39 ? Tenho mais quatro pedras sobrando!” O texto diz:
“Vendo os filisteus que era morto o seu herói, fugiram” (17:51b)40 . Então, os israelitas, outrora tão amedrontados, desceram rapidamente a montanha, pedindo em voz alta: “Manda um gigante! Eu quero um também!” “Então, os homens de Israel e Judá se levantaram, e jubilaram, e perseguiram os filisteus” (17:52ª). O exemplo de Davi estimulou seus colegas filisteus. A vitória de Davi também incentivou ele mesmo em batalhas posteriores. O versículo 54 diz: “Tomou Davi a cabeça do filisteu e a trouxe a Jerusalém; porém as armas dele pô-las Davi na sua tenda”. A cabeça de Golias foi parar em Jerusalém41 . (Por que ele não levou a cabeça para casa? Creio que a mãe de Davi não permitiria que ele a guardasse dentro de casa!) As armas de Golias, porém, Davi levou para casa42 . Todas as noites, quando Davi se acomodava na cama, ele podia olhar as armas e dizer: “Deus me deu a vitória. Do Senhor é a guerra!” Todas as manhãs, ao acordar, ele podia ver aqueles metais e dizer: “Deus me deu a vitória. Do Senhor é a guerra!” De manhã e à tarde, todos os dias, ele tinha um lembrete de que quando ficamos com Deus, temos vitória.
Toda vez que Deus lhe der vitória, guarde os detalhes desse tremendo acontecimento no seu coração.
Deus não quer que desperdicemos umaúnica vitória. Ele diz: “Não se esqueça!” Nada lhe dará mais força em batalhas futuras!




CONCLUSÃO
“Nosso Pai celestial, tantos estão enfrentando problemas — e esses problemas, às vezes, parecem esmagadores. Oramos para que o Senhor esteja com cada um de nós e nos fortaleça. Ajude cada um a dar o melhor de si para se preparandose para aquilo que a vida trouxer, mas que no final, todos aprendamos a depender do Senhor, para que a vitória seja nossa. Ajude-nos a aprender que com o Senhor ao nosso lado, nada é impossível. Abençoe a cada um de uma forma especial. Em nome de Jesus. Amém.” Lutar com gigantes pode ser uma atividade solitária. Quando Davi entrou no campo de batalha, Saul e o exército não estavam com ele. Ele estava completamente só — com exceção de Deus. Para enfrentar gigantes, precisamos de Deus!